Sunday, October 17, 2010

-Eu sei o que queres.
-Sabes?
-Sei.
-Então diz-me.
Ele olhou-a com carinho e aproximou a sua face da dela.
-Queres um beijo.
Ela sorriu, inclinando-se um pouco para trás.
-Não, não quero.
Ele deixou-se cair para trás com um ar intrigado.
-Quero vários.
Ao dizer isto ela encostou-se a ele e passou-lhe a mão pela face suavemente.
-Não sei se mereces.
Ela fez um ar amuado e ele apertou-a nos seus braços enquanto a enchia de beijos.
Deixaram-se ficar, presos nos braços um do outro, sentados no sofá em frente da lareira.
O olhar dela desviou-se para a janela. Lá fora, a chuva batia levemente na janela, dando um ar estranhamente agradável a tudo o que parava lá fora.
Uma rajada de vento abre a janela, deixando entrar um ar gelado. Um arrepio de frio percorre-a de alto a baixo e ele levanta-se e vai fechar a janela.
Ela olha-o com paixão.
O ar a sua volta parece ficar mais denso de repente. Ela olha para todo o lado e começa a ver fumo subir do chão por todo o lado. De repente, um mar de chamas rebenta. Ela olha-o estendendo os braços na sua direcção, em desespero.
Ele olha-a ternamente, de sorriso nos lábios e acena mesmo antes de ser engolido pelas chamas.
Ela sente o desespero crescer-lhe no peito enquanto vê tudo à sua volta ser incinerado nas chamas.
«Mexe-te! Mexe-te!» Ela pensa para si própria, mas não consegue e o desespero começa a preenchê-la por completo.
«É um sonho! É tudo um sonho! Abre os olhos! ABRE OS OLHOS!»
O seu corpo estremece e ela finalmente abre os olhos.
O pânico ainda não a abandonou por completo, mas a sua respiração já começou a abrandar.
-Foi um sonho.
Ela diz para si própria, bem alto, a sua voz ecoando pelo vazio da sua casa.
Olha em volta e vê tudo no seu lugar. Respira fundo e consegue acalmar. Mas um ar triste pousa sobre a sua face.
Ela solta um suspiro.
-Foi tudo um sonho... Ele também.

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