Maldita a hora...
I am no superman...
O quê? Como? Quando? Onde? porquê?
Friday, December 17, 2010
Tuesday, November 16, 2010
Entre a depressão e o ódio.
Nunca fui nada, absolutamente nada para ti, ou não terias tanta facilidade em baixar os braços. Não queres, nem nunca quiseste saber de mim, e eu, parva como sou, continuo a querer saber de ti, a andar preocupada, a remoer-me por dentro, a tentar descobrir o que fiz eu de errado.
Sou forçada a dizer a mim mesma que não prestas, que és uma merda, numa tentativo desesperada de te ficar indiferente, mas não consigo...
Saturday, October 30, 2010
Friday, October 29, 2010
Ela tinha um hábito horrível, quando era mais nova, de se sentar na cama, abraçando as pernas pelos joelhos, balançando-se para a frente e para trás a chorar baixinho. Era a única forma de conseguir esconder toda a angústia que lhe corria nas veias, dentro das quatro paredes do seu quarto. Ali era o seu porto seguro, o único sítio onde permitia a si própria derramar lágrimas e pensar em todas as coisas que não a deixavam dizer ou fazer. Dentro daquelas quatro paredes ficavam todos os seus segredos, todas as suas fantasias vistas pelos outros como infantilidades impossíveis e sem valor. Por todo o lado tinha caixas e cadernos escondidos com todos os seus segredos, todos os seus desejos, todos os seus ódios e todas as palavras que nunca pudera dizer. Nada nem ninguém podia violar o seu pequeno universo caótico. Nada nem ninguém podia mexer nas suas coisas, as únicas que podia efectivamente chamar suas. A sua alma estava espalhada por todos aqueles objectos mundanos e todos os seus segredos estavam ali escondidos.
Quando saiu de casa decidiu ser a pessoa que sempre quisera. Tentara a todo custo abrir-se ao mundo. O caminho seria demasiado tortuoso para se permitir percorrê-lo com grandes passadas, mas chegaria lá com passos pequenos, uns atrás dos outros.
Descobriu que lá fora havia quem estivesse disposto a ouvi-la, a ver-lhe as lágrimas escorrer pela face e animá-la com um simples abraço. Foi um alívio descobrir quem não a julgasse, quem a aceitasse como ela era, quem a tratasse como uma igual. O mundo conseguira tirar-lhe o hábito de baixar os braços e reduzr-se às suas quatro paredes e áquele gesto que a consumia por dentro, aquele baloiçar involuntário que a fazia soluçar baixinho enquanto sentia o corpo encher-se de ódio e terror. Deixára isso para trás com prazer, uma parte de si que a fizera sentir-se mínima e infeliz a maior parte da sua vida. Não pensára mais naquilo, deixára-o para trás nos confins mais negros da sua mente.
Agora, adulta, começara a sentir de novo as palavras presas na garganta. Uma indescritível sensação de falta de controlo começára a tomar posse dela e as palavras começavam uma vez mais a fluir apenas no papel. Sentia a angústia aumentar à medida que ía deixando de se conseguir expressar com a voz. Lutára a todo o custo para não voltar a percorrer aquele caminho, mas a fala abandonára-a. Não conseguia dizer o que lhe ía na mente e o papel tornára-se de novo o seu único confidente.
Sentiu-se perder completamente e acabou por se deixar levar por velhos hábitos.
O desespero já lhe mostrára a face várias vezes, mas ela tentára ignora-lo. Naquela noite ele rodeou-a, prendendo-a num abraço gélido. Involuntariamente, sentou-se na cama, deixando as lágrimas cair, abraçou as pernas pelos joelhos e começou a baloiçar. Os olhos ardiam, o coração apertava e num segundo, os muros que levaram anos a ruir, estavam de novo de pé.
Sentiu-se sufocar, baixou os braços e deixou-se ficar, escondida do mundo, dentro das suas quatros paredes.
Tuesday, October 26, 2010
Apetece-me agarrar-te pelos colarinhos e abanar-te. Dizer-te tudo de uma vez por todas.Perguntar-te porque não vês o que eu vejo, porque tapas os teus próprios olhos ao que é tão evidente a toda a gente. Berrar-te, dizer-te alto e bom som que acho que és egoísta e que tens a mania que sabes tudo, mas não sabes nada, nem o que pensar de ti próprio ou da tua vida. Falar de uma vez por todas sobre tudo o que me ficou entalado de cada vez que me perguntavas o que se passa e eu respondia "nada" com um fio de voz.
Apetece-me encostar-te contra a parede e obrigar-te a responder a todas as minhas perguntas, as respostas que te vão lá dentro e não a quantidade de parvoices que deitas cá pra fora a pensar que estás a dizer a verdade.
Não és nada porque não queres. Não vales nada porque não fazes por isso. Não tens nada porque não tens coragem para encarar o que vai dentro de ti.
Falas como se soubesses tudo, falas e falas e fales de ti e de ti e de ti... não ouves nada, não olhas para nada com olhos de ver, não pensas em nada que não seja em ti.
E vens, cheio de conversa fiada, dizer o que é melhor para mim, sem sequer saber o que é melhor para ti.
AAAAAAAAAAAAAAAH! Odeio-te... porque me fazes sentir culpada... porque me fazes desesperar até ao ponto em que não aguento mais e cedo... porque sabes que sofro e não fazes nada porque na tua infinita sabedoria achas que é o melhor para mim... Como te atreves!? Tu não me conheces... não se achas que fazes bem ao fazer isto... não se achas que isto me faz mais forte, ou mais feliz, ou mais o que quer que seja. Não me faz mais nada... faz-me menos, faz-me muito menos.
Odeio-me... por mais merda que faças... a culpa será sempre minha! E não posso fazer nada, porque não consigo parar de pensar em ti e tudo o que fizeste e disseste que me fazia sentir bem e feliz... e não consigo parar de sofrer porque não consigo deixar de pensar em todas as coisas que disseste ou fizeste que me faziam sentir mal, triste, rejeitada, coisas que tu vias que me faziam sofrer, mas dizias a ti próprio que era o correcto, porque tinha lógica... mas a lógica não entra aqui!
Subscribe to:
Comments (Atom)