A brisa trespassou a malha da camisola rodeando o seu tronco como que num abraço gélido. O frio não o fez estremecer, o seu corpo já estava de tal forma adormecido que o ar gélido que corria naquela noite não era problema.
Estava sentado em frente do seu carro há horas, de olhar preso no horizonte, olhando para tudo e sem olhar para nada ao mesmo tempo, mas o tempo parecia não passar.
Rendeu-se aos pensamentos que tentava a todo o custo evitar e as dúvidas começaram a inundar a sua mente.
Não gostava de se sentir assim, mas não sabia como o contornar. Achava que já tinha pensado naquilo o suficiente e que já tinha arranjado uma solução, mas algo lhe dizia que não, que tudo o que pensava e repensava, apesar de fazer todo o sentido, estava errado.
Não queria pensar mais, mas ao longo do dia havia momentos em que não o conseguia evitar, e aquilo já estava a dar com ele em doido. Não sabia mais o que fazer, não sabia sequer onde procurar a resposta, não sabia como parar aqueles pensamentos de lhe invadirem a mente sem aviso.
Malditos pensamentos, não o deixavam em paz.
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